17/04/2013

Duas fotos, dois protestos; um é democracia; o outro é gritaria fascistoide. Ou: O regime democrático, a forma e o conteúdo


 
 
A primeira retrata militantes cobrando, a seu modo, a saída do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A segunda registra o protesto pacífico e silencioso feito por um grupo de evangélicos, nesta quarta, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Eles pedem que os condenados João Paulo Cunha e José Genoino deixem a CCJ.  
E aí?
Muitos são contrários à permanência de Feliciano numa comissão. Muitos são contrários à permanência de João Paulo e Genoino na outra comissão. Muitos gostam de Chicabon. Outros preferem o sorvete que é de uva… Na democracia, respeitados os parâmetros constitucionais, a forma é mais importante do que o conteúdo. Na democracia, as pessoas divergem sobre conteúdos e concordam na forma. A alternativa é o estado da natureza, todos contra todos. “Então, sendo educadinho, tudo pode?”, pergunta o petralha anarfa. Não! Estabeleci ali o limite na oração subordinada adverbial condicional reduzida de particípio: “respeitados os parâmetros”. Para entender o que escrevo, petralhas, é preciso ficar atento às sutilezas das reduzidas de particípio! Na língua, o conteúdo é tão importante quanto a forma.
 
Os evangélicos disseram o que pensam.
Os evangélicos não impediram os trabalhos.
Os evangélicos se opuseram à presença dos dois condenados, mas respeitaram o Congresso, que é maior do que Feliciano, que é maior do que João Paulo e Genoino,  que é maior do que os evangélicos, que é maior do que os católicos, que é maior do que os gays, que é maior do que criminosos sacramentados pela Justiça, que é maior do que as corporações de ofício, que é maior dos que as corporações de gosto…
 
Dá para entender a diferença entre a democracia e a bagunça fascistoide? Dá para entender a diferença entre quem é contra o que o outro pensa ou representa e se manifesta de forma pacífica e quem tenta intimidar, calar, agredir, enxotar?
 

 
Dicas e perguntas

Fiquem atentos. Será que essa manifestação silenciosa vai parar na primeira página dos jornais? Se não for, é sinal de que, entre o protesto democrático e as falanges fascistoides, os jornais escolheram a segunda alternativa, e aí é hora de você escolher melhor os jornais. Será que essa manifestação silenciosa vai parar nas televisões? Se não for, é sinal de que, entre o protesto democrático e as falanges fascistoides, as televisões escolheram a segunda alternativa, e aí é o caso de escolher melhor a TV. Mais dia, menos dia, chegará a hora de discutir o “controle da mídia”. Os meios de comunicação podem estar, também eles, escolhendo a interlocução: truculência, gritaria, xingamento, demonização do outro… ou democracia.
“Não respondo a provocação”, afirmou Genoino, segundo leio na Veja.com, ao deixar rapidamente o plenário. Provocação? Qual provocação?
 
Quero encerrar deixando bem claro uma coisa: eu não estou igualando as duas situações porque igualáveis elas não são. José Genoino foi condenado em última instância por corrupção ativa e formação de quadrilha. João Paulo Cunha foi condenado em última instância por corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro. Feliciano não foi condenado por nada até agora, em instância nenhuma. Concorde-se ou não com o que ele pensa, e eu não concordo, sua presença numa comissão não é afronta nenhuma à democracia. As de João Paulo e Genoino são um escárnio. Um futuro presidiário e outro que só não irá em cana porque inexistem instituições para o regime semiaberto no país julgarem a constitucionalidade e a justiça de dispositivos legais é coisa de republiqueta, de país bananeiro, de nação controlada por uma súcia.
Parabéns aos evangélicos. É assim que se faz.

Por Reinaldo AzevedoFonte: Veja.

08/11/2012

Um Evangelho Pós-Moderno

 
 
Por Márcio Jones

Pão e circo! Como na Roma Antiga, são os vetores em torno dos quais gira a sociedade hodierna, diz o Bispo Walter McAlister, em seu livro O fim de uma era. “Não há nada a que se atribua mais relevância senão necessidades e prazer: primeiro o que vai encher a minha barriga e depois o que vai me divertir”. E onde entra a igreja nisto? “Está ela sendo fortemente sugada por um redemoinho de forças culturais e não tem mais uma âncora para segurá-la. O que vemos na igreja é uma desorientação profunda. Ela se segura em qualquer coisa para tentar encontrar sua missão”, prossegue o Bispo.
A igreja de nossos dias, de forma majoritária, propugna por uma verdadeira emancipação da reforma protestante, iniciada em 1517 por Martinho Lutero. O objetivo parece ser a aquisição de total independência por parte dos que assim fazem, a fim de que possam dar os rumos que bem quiserem às atividades eclesiásticas. Vemos a inovação interpretativa, a insuficiência das Escrituras, o abandono da sã teologia, o uso de recursos de marketing, a luta por poder e legitimidade, tudo isso em total detrimento dos princípios e postulados, essencialmente bíblicos, deixados como legado pelos reformadores.
A passos largos caminha a igreja pós-moderna rumo à promoção do espetáculo mais inovador que faça os templos se encherem cada vez mais, da estratégia que mais desperte a atenção do público — sobretudo da juventude — e das mais variadas soluções de marketing empresarial. Jesus é a logomarca! “Importa antes ver a igreja cheia! As pessoas estão ‘se convertendo’”, é o que ouvimos e lemos. Nos EUA, por exemplo, as igrejas chegam até mesmo a promover enquetes com não-crentes, com o intuito de saber o que gostariam eles de ver na igreja para que passassem a participar de suas atividades — quase chegamos a esse ponto! Falta pouco. Penso ser a culturalização do evangelho, a mundanização da igreja. É picadeiro e não púlpito.
“A igreja hoje tem ânsia por poder e legitimidade. Logo, quando um conjunto toca uma música, dizem ‘vocês são tão bons que parecem Os Paralamas do Sucesso’. Ou seja, nossos parâmetros de comparação estão no mundo. Nossos parâmetros de importância também são mundanos. Por exemplo: o pastor que realmente tem uma boa palavra tem de estar na televisão, porque, se não estiver, não deve ter muita importância. E, de fato, a igreja está se perdendo nessa sociedade de aparências e correndo atrás daquilo que não é essencial. A igreja hoje é vítima de si mesma, mas, fundamentalmente, é vítima de sua ignorância da Palavra, da ignorância de quem ela é e a quê veio, do porque da sua existência”, arremata McAlister. Afirmo que essas congregações são verdadeiras sinagogas de satanás. Estão a seu serviço.
“Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado”(NVI)!
É a sentença proferida pelo apóstolo Paulo em Gálatas 1:8.
No verso 6 do mesmo capítulo, o apóstolo, estupefato, diz: “Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho”.
As igrejas da Galácia estavam sendo seduzidas e enredadas pelos falsos mestres que traziam ensinos judaizantes. Asseveram que Paulo não era um apóstolo autorizado e que o homem não poderia ser justificado somente mediante a fé em Cristo Jesus, mas que ainda devia fiel observância aos ritos cerimoniais da lei de Moisés (At 15:1,5). Ora, assim quiseram eles tornar a obra de Cristo na cruz insuficiente e, por essa razão ultrajante, de negação do próprio Deus da graça, de forma severa e intrépida, Paulo brande a espada do Espírito contra esses hereges.
Paulo encontra-se perplexo com a atitude das igrejas cristãs da Galácia. Outrora haviam eles acatado com tanto entusiasmo o evangelho de Cristo para logo depois abandoná-lo, e passar a uma outra doutrina, a um outro evangelho, o qual, em verdade, não é outro. Tão rapidamente apostataram eles da fé, abandonaram o Deus da graça. O reformador João Calvino, citado pelo Rev. Hernandes Dias Lopes, denuncia esse mesmo desvio em seus dias, ao escrever: “Os papistas decidiram conservar um Cristo pelas metades e um Cristo mutilado, e nada mais, e estão, portanto, separados de Cristo. Estão saturados de superstições, as quais são frontalmente opostas à natureza de Cristo”.
A carta aos Gálatas é absurdamente pertinente à realidade que vivemos nos dias de hoje. Encaixa-se como uma luva no contexto situacional moderno. Traz um tom apologético com profunda necessidade de ser resgatado, a fim de quebrar o mórbido silêncio que impera nos templos de nossas congregações. Silêncio esse oriundo de ministros que zelam mais por sua própria reputação do que pelo anúncio do verdadeiro evangelho e pelo frontal e declarado combate à enxurrada de doutrinas heréticas e humanistas, que assolam a igreja contemporânea. Tais ministros jamais poderão afirmar, como Paulo, que se buscassem agradar a homens não seriam servos de Cristo (Gl 1:10). “São pastores que apascentam a si mesmos. Líderes que se servem das pessoas para erguer um monumento à própria vaidade”, diz o Rev. Hernandes Lopes.
Arvoremos a bandeira do evangelho de Cristo, dos apóstolos, dos reformadores, dos puritanos. Resgatemos nossas origens, nossas raízes, pelo Senhor estabelecidas, e nos lembremos do firme fundamento de nossa fé, o qual é Jesus Cristo (1 Co 3:11).
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Sobre o autor: Protestante reformado. Membro da Igreja Presbiteriana Iawe Nissi. Um vaso de barro a serviço do Reino de Deus e em defesa do Evangelho de Jesus Cristo. Inimigo declarado do movimento evangélico emergente e das doutrinas humanistas e diabólicas. Alguém em defesa da sã doutrina.
 

29/02/2012

Agradando a Deus

AGRADANDO A DEUS



Vez por outra, ouvimos alguém dizer: "Não podemos agradar a todo mundo."

Realmente, não podemos contar com o entendimento, a parceria, a compreensão e a cumplicidade de todos, especialmente dos que caminham na contramão da palavra de Deus. Assim, ainda que procuremos agir com o amor, com a verdade e os princípios bíblicos, muitos nos consideram antiquados.

Por outro lado, se dermos lugar à mentira, ao engano e a atitudes que não condizem com nossos valores e princípios para agradar um grupo, certamente não poderemos contar com a aprovação de Deus e daqueles que são retos.

Jesus foi bem claro em Mateus 6:24 - ninguém pode servir a dois senhores, porque há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

Que neste dia você possa, por um momento, fazer uma análise introspectiva e perguntar-se de que lado tem se posicionado: se do lado das trevas, agradando aos homens, ou se do lado da luz, agradando a Deus. Que possa orar como o salmista: Sonda-me, ó Deus e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno (Salmo 139:23-24)


Roberta Jaciane

18/01/2012

A vontade de Deus em nossa vida


A VONTADE DE DEUS EM NOSSA VIDA
Base Bíblica Mateus 21.23-32 


 E, chegando ao templo, acercaram-se dele, estando já ensinando, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que autoridade fazes isto? e quem te deu tal autoridade?E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço isto. O batismo de João, de onde era? Do céu, ou dos homens? E pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes? E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, porque todos consideram João como profeta. E, respondendo a Jesus, disseram: Não sabemos. Ele disse-lhes: Nem eu vos digo com que autoridade faço isto. Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha.  Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer. 

                Após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e a purificação do templo, os fariseus, amargos adversários de toda retidão, cercaram nosso Senhor procurando um motivo para levantar acusação contra ele, pois até o momento, os sacerdotes não tinham uma única palavra a dizer contra os ensinamentos, vida e conduta de Jesus e seus seguidores.
                Por isso, trataram de questionar a comissão divina do nosso Senhor, e assim é até hoje, os inimigos da verdade estão sempre preparados para questionar a autoridade de todos quantos se conduzem melhor do que eles próprios. Os filhos deste mundo têm muitas vezes tentado impedir o avanço das reformas e reavivamentos, em nada se importando com a manifesta benção de Deus sobre o trabalho de um homem. As grandes coisas que têm sido feitas e o sucesso de um servo nada significam, eles querem saber quem o enviou, querem ver o seu diploma, querem saber o seu preço.
                Não devemos ficar surpresos nem desanimados quando ouvirmos tais coisas, pois estas argumentações foram levantadas contra o próprio Jesus Cristo. Sem dúvida devemos seguir a determinação do apóstolo Pedro, “estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o , todavia, com mansidão e temor” (1 Pe 3.15),  sendo necessário muita sabedoria,  conforme ensinamento de Salomão: “Não respondas ao insensato segundo a sua estultícia, para que não te faças semelhante a ele” ( Pv 26.4).
                Mas o Senhor oferece grande encorajamento àqueles que se arrependem, salientado na parábola dos dois filhos.  Ambos receberam a ordem de ir trabalhar na vinha de seu pai. O filho que prometia obedecer, mas não cumpria a sua palavra, era um retrato dos cerimoniosos fariseus, diziam que queriam fazer a vontade de Deus, mas constantemente desobedeciam. Eram impostores, só representavam.
                É muito perigoso fingir que obedecemos a Deus, quando nosso coração está longe dEle,  porque Deus conhece nossas verdadeiras intenções. Nossas ações devem estar de acordo com nossas palavras,  devemos agir com coerência, devemos procurar sempre fazer a vontade do Senhor para a nossa vida.
                Que hoje você possa orar para que seja liberto da necessidade de aparências e aprovação social em sua vida; que o Senhor aumente o seu desejo de fazer a vontade dEle, tornando-te reconhecedor da autoridade que vem de Deus, e que assim se alegre com o ministério de outras pessoas enviadas pelo Senhor, para que muitos ouçam a mensagem do Evangelho e venham até Deus. 

Roberta Jaciane